Todos os dias.
Olhares perdidos. Enrugados.
Mãos frias. Sem nada.
Engelhadas.
Todos os dias me encontro contigo por esses recantos.
Nos olhares vadios.
Nas mãos que procuram o meu conforto.
Todos os dias.
Encontro-te nos dedos que procuram a companhia de um estranho.
Nas palavras que parecem sufocar no conforto das casas velhas.
Nas vírgulas embargadas pela solidão dos olhares. E das mãos.
As mãos frias que apertam as minhas.
Para não deixar fugir o tempo.
Todos os dias.
O murmúrio das paredes.
As fotografias cinzentas.
As imagens desgastadas pelo tempo que passa por elas.
Todos os dias.
A minha saudade que parece querer trair-me.
Quando te encontro nas coisas simples.
Na solidão que parece pequenina.
Encontro-me contigo.
Nas mãos. Nos olhos.
Nas saudades.
Nas palavras.
Todos os dias.
Até um dia.
Pizza
Há 15 anos